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As conquistas de nossas empresas em 2025

O setor de árvores cultivadas é exemplo do que deu certo no Brasil, referência global em produção sustentável, geração de empregos, inovação e conservação ambiental. Que 2026 venha com a mesma energia inovadora com a qual trabalhamos até aqui.
01/12/2025

Por Paulo Hartung

Chegamos ao fim de um ano desafiador, em que nos deparamos com movimentos geopolíticos conturbados, com o conflito entre Estados Unidos e China, guerras e a volta de um forte protecionismo no comércio exterior. No cenário interno, persistiram os obstáculos impostos por uma infraestrutura aquém das necessidades produtivas de nosso país. Soma-se a isso um ciclo prolongado de elevadas taxas de juros, que impactam o endividamento das famílias e a evolução do setor produtivo.

Mas mesmo diante de quadro tão conturbado, temos motivos para celebrar no setor de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração. O ano foi marcado por movimentos que reafirmaram o papel estratégico de nossa indústria na agenda econômica, social e ambiental do Brasil. Os fatos por si só mostram isso — relembro aqui alguns deles, mês a mês:

Em março, a Klabin inaugurou sua nova fábrica: a Unidade Piracicaba 2, projeto que recebeu investimentos de R$ 1,6 bilhão para produzir 240 mil toneladas de papel ondulado por ano.

Em abril, foi lançada a pedra fundamental do Projeto Sucuriú, da Arauco, em Inocência (MS), um investimento da ordem de R$ 25 bilhões. O projeto prevê a construção de uma fábrica destinada a produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano

Em maio, a Smurfit Westrock anunciou investir US$ 150 milhões para ampliar e modernizar suas operações no Brasil. A Symbiosis, por sua vez, captou investimento de R$ 77,6 milhões junto ao BNDES, a partir do Fundo Clima, para o plantio de 3 mil hectares na Mata Atlântica. O financiamento foi o primeiro voltado à silvicultura de espécies nativas no Brasil. No mesmo mês, o banco também aprovou R$ 71,4 milhões para a BO Paper Brasil adequar sua unidade industrial em Jaguariaíva (PR), ampliando produção de papel para embalagem utilizando fibras recicladas.

Chegando junho, foi divulgada a joint venture da Suzano com a Kimberly-Clark em ativos globais de tissue. Com sede na Holanda, a joint venture tornou-se responsável pela operação de 22 fábricas, localizadas em 14 países. Essas fábricas possuem capacidade instalada conjunta de cerca de 1 milhão de toneladas anuais.

Também em junho, a Melhoramentos inaugurou nova fábrica em Camanducaia (MG), a Biona, para produção de embalagem de fibra de celulose, alternativa às de origem fóssil. Resistente à água, umidade, óleo e altas temperaturas, a embalagem pode ir do freezer ao forno, tem menor pegada de carbono e é compostável em até 75 dias. Antes de o mês terminar, as empresas Biomas e a Carbon2Nature Brasil anunciaram parceria inédita para recuperar 1.200 hectares de florestas nativas em áreas de propriedade da Veracel Celulose, no sul da Bahia. O Projeto Muçununga envolve o plantio de 2 milhões de mudas até 2027.

Em agosto, tivemos a inauguração oficial da fábrica de tissue da Bracell Papéis São Paulo, unidade Lençóis Paulista. A nova planta se consolida como uma das mais modernas e sustentáveis do mundo, operando totalmente livre de combustíveis fósseis e 100% automatizada. Também em agosto, a Dexco celebrou 30 anos de certificação FSC —o selo atesta práticas de manejo florestal ambientalmente adequadas, socialmente benéficas e economicamente viáveis. E a Greenplac anunciou investimento de R$ 120 milhões para a produção de MDF revestido, com a ampliação de sua planta industrial em Água Clara (MS), gerando empregos e fortalecendo o desenvolvimento regional.

Em novembro, a re.green foi vencedora da categoria “Proteger e Restaurar a natureza” do Earthshot Prize 2025. Organizada pelo príncipe William, a premiação busca expandir o uso de soluções inovadoras que beneficiem o meio ambiente. O projeto vencedor da re.green utiliza inteligência artificial e dados de satélite para tornar o reflorestamento rentável, restaurando as florestas Amazônica e Atlântica em grande escala, protegendo a biodiversidade vital e apoiando as comunidades locais. Enquanto isso, a Mombak fechou acordo com a gigante do Vale do Silício Google para remoção de carbono, em um projeto de restauração da Floresta Amazônica. Tratou-se do maior acordo feito pela big tech para compensar suas emissões ligadas a data centers que consomem muita energia.

Durante a COP30, o BNDES anunciou R$ 912 milhões em operações de crédito do Fundo Clima para empresas de restauração de nativas, entre elas associadas da Ibá. Além da re.green, o Grupo Ibema captou R$ 110 milhões para restaurar a Floresta Nacional de Irati, no Paraná. Tratou-se da primeira concessão florestal federal do bioma Mata Atlântica estruturada pelo banco.

Antes de o ano terminar, a Cenibra anunciou investimento na Bionow, startup de soluções de biocarbono criada pela Vale. O acordo prevê a construção da primeira planta de produção de biocarbono em Minas Gerais, com início das operações até o final de 2027. O empreendimento utilizará madeira de eucalipto certificada pelo FSC, fornecida pela Cenibra, para produzir um biocarbono desenvolvido como alternativa sustentável ao carvão mineral e fonte de energia limpa para indústrias em processo de descarbonização, como a siderurgia. E a Eldorado anunciou dobrar a área de plantio de florestas a partir do ano que vem, chegando a 50 mil hectares de eucalipto no Mato Grosso do Sul. O objetivo é assegurar matéria-prima para os planos de expansão da companhia.

Como se nota, mesmo em um ano de grandes dificuldades, acumulamos um conjunto de boas notícias, mostrando nossa pujança. O setor de árvores cultivadas é exemplo do que deu certo no Brasil, referência global em produção sustentável, geração de empregos, inovação e conservação ambiental. Que 2026 venha com a mesma energia inovadora com a qual trabalhamos até aqui.

Boas festas!

Publicado em Revista O Papel

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