O futuro da indústria florestal no Brasil: integração, rastreabilidade e baixo carbono

Por Alexandre Lanna, CEO da Veracel Celulose
Em julho, a Veracel completa 35 anos. Mais do que um marco cronológico, esta data representa a maturidade de um modelo de negócio que nasceu com o desafio de integrar a produção industrial de alta escala à eficiência florestal e à conservação de um dos biomas mais ricos do planeta: a Mata Atlântica. Hoje, ao olharmos para o futuro, percebemos que essa integração não é mais um diferencial, mas uma via possível para a competitividade do Brasil no cenário global e para o desenvolvimento dos territórios onde atuamos.
Essa reflexão ocorre em uma indústria que já ocupa posição estratégica na economia e nas cadeias globais. Segundo a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), o país produziu o recorde de 29,4 milhões de toneladas de celulose em 2025 e exportou 20,7 milhões de toneladas, mantendo-se como o maior exportador mundial do produto. As vendas externas de toda a cadeia de árvores cultivadas somaram US$ 14,9 bilhões no período, respondendo por quase 9% da balança comercial do agronegócio brasileiro.
A dimensão ambiental e social é igualmente relevante. O setor mantém 10,5 milhões de hectares de árvores cultivadas e conserva mais de 7 milhões de hectares de vegetação nativa. Na Bahia, dados da Associação Baiana das Empresas de Base Florestal (ABAF) apontam cerca de 700 mil hectares de florestas plantadas, 400 mil hectares de áreas nativas preservadas pelas empresas e aproximadamente 230 mil empregos diretos e indiretos. Mas os números, por mais expressivos que sejam, contam apenas metade da história. A outra metade está no solo, na tecnologia e, principalmente, nas pessoas que constroem essa trajetória conosco.
A escala alcançada, entretanto, não elimina os desafios. Oscilações de preços, tensões comerciais e medidas protecionistas afetam uma indústria exposta ao mercado internacional. Ao mesmo tempo, mudanças climáticas, exigências regulatórias, custos logísticos e a necessidade de qualificação profissional ampliam a pressão por eficiência e adaptação. Produtividade, escala e controle de custos continuam essenciais, mas já não são suficientes. O Brasil tem uma oportunidade única de liderar esse novo momento.
Enquanto o mundo busca caminhos para a descarbonização, nossa indústria já opera com soluções baseadas na natureza. Na Veracel, entendemos que a “floresta do futuro” é digital e conectada. Aqui, com tecnologia aplicada, monitoramos cada detalhe da operação em tempo real, usando inteligência artificial para prever riscos e evitar desperdícios. Mas a inovação não serve apenas à eficiência: ela serve à transparência e à segurança de que estamos produzindo de forma responsável.
A rastreabilidade tornou-se nossa “infraestrutura de confiança”. Conseguimos acompanhar todo o processo — desde a produção de mudas e o manejo responsável no campo até a celulose produzida com alta eficiência e qualidade, a entrega no Terminal Marítimo de Belmonte e o desembarque no Portocel, no Espírito Santo. Isso responde a uma exigência crescente de investidores e mercados globais por produtos que comprovem sua origem e seu impacto positivo, inclusive no contexto do Regulamento Europeu sobre Desmatamento (EUDR). Para nós, cumprir a lei é o básico. Nosso compromisso é com a regeneração e a antecipação de um futuro mais sustentável.
Exemplo disso é o Projeto Muçununga, implementado pela Biomas e pela Carbon2Nature Brasil em parceria com a Veracel. Ao restaurar 1.200 hectares de Mata Atlântica com mais de 70 espécies nativas, mostramos que é possível aliar a recuperação da biodiversidade à geração de créditos de carbono, transformando passivos ambientais em ativos estratégicos para o clima e para a empresa. Descarbonizar não é apenas uma meta de emissões, é uma revisão profunda de como operamos, desde a redução do consumo de gás natural em nossos fornos até a logística marítima que evitou mais de 103 mil toneladas de CO₂ equivalente em dez anos.
Nosso impacto vai além dos números. Quando a Veracel iniciou suas operações no Sul da Bahia, a infraestrutura econômica era frágil na região. Ao longo das décadas, nos tornamos parte do tecido produtivo e social da região, gerando mais de 3.000 empregos diretos e terceirizados, além de injetar R$ 409 milhões na economia local em 2025, por meio de compras com fornecedores. O apoio a povos indígenas, com quase R$ 1,4 milhão investidos em 2025, e a parceria para desenvolver a agricultura familiar na região são exemplos concretos de como cultivamos prosperidade. Vemos famílias resgatando dignidade com produção, comercialização, geração de renda e condições de planejar o futuro a partir do próprio trabalho.
E a antecipação de riscos? A construção de uma ponte alternativa sobre o Rio Jequitinhonha, em parceria com o governo, não apenas garantiu a continuidade da nossa operação em um momento crítico, mas, principalmente, ofereceu uma nova opção de escoamento de produção e melhorou a locomoção para centros urbanos para toda a comunidade. Isso é pertencer ao território e fazer parte da solução.
Neste novo ciclo que inicio à frente da Veracel, minha convicção é clara: o sucesso da indústria florestal brasileira nos próximos anos dependerá da nossa capacidade de gerar valor compartilhado. Não basta produzir celulose; é preciso cultivar prosperidade nos territórios onde atuamos, investir nas nossas equipes e proteger a biodiversidade. É a união da eficiência com o pertencimento que nos define e nos direciona para o próximo nível de competitividade e sustentabilidade.
A Veracel chega aos 35 anos jovem o suficiente para inovar e experiente o bastante para liderar. O futuro é verde, digital e, acima de tudo, humano. E ele já começou, construído com responsabilidade e compromisso no Sul da Bahia.



