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O setor Florestal Brasileiro pelo Clima

Por Cindy Correa* e Adriano Scarpa** Este ano, Belém recebe a COP30, a Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima, um marco histórico para o Brasil e para o mundo por ocorrer pela primeira vez no bioma amazônico. As COPs são encontros anuais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do […]
23/10/2025

Por Cindy Correa* e Adriano Scarpa**

Este ano, Belém recebe a COP30, a Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima, um marco histórico para o Brasil e para o mundo por ocorrer pela primeira vez no bioma amazônico. As COPs são encontros anuais no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês) que reúne 198 países, um dos maiores órgãos multilaterais do sistema das Nações Unidas (ONU), para debater e negociar acordos internacionais que combatam as mudanças climáticas e reduzam as emissões de gases de efeito estufa.

A edição de 2025 se desenha especialmente desafiadora com a saída voluntária dos Estados Unidos do Acordo de Paris que enfraquece o debate climático global, a Europa que enfrenta limitações financeiras em função de crescentes gastos de defesa comprometendo o debate do financiamento, ao mesmo tempo que poucos países, até agora, renovaram suas metas (NDCs).

Ainda assim, há grande expectativa da sociedade brasileira com a oportunidade de sediar um evento capaz de aproximar lideranças mundiais da nossa realidade. Nesse caminho, a Ibá vem atuando intensamente para posicionar o setor de árvores cultivadas brasileiro como referência concreta de soluções baseadas na natureza para o combate aos efeitos das mudanças climáticas e para a consolidação da bioeconomia. As ações são amplas e em diversas frentes, com iniciativas institucionais e de comunicação, como o documentário “Novas Raízes – Escolhas do Futuro”, uma parceria Warner Bros. Discovery, Casa Redonda e Indústria Brasileira de Árvores, lançado no fim de setembro. Pela primeira vez, o setor de árvores cultivadas para fins industriais e para restauração de nativas conquista espaço em uma grande produção audiovisual, capaz de levar a milhões de pessoas a força de um modelo de negócio sustentável e inovador.

Outro caminho mais institucional é o lançamento do caderno Setor Florestal Brasileiro pelo Clima. Desenvolvido internamente pela Ibá com apoio das empresas associadas, conta com 26 cases de 22 empresas associadas e instituições parceiras como Reflore, SIF e IPEF.

O setor de árvores cultivadas no Brasil planta 1,8 milhão de árvores por dia e mantém 10,5 milhões de hectares de plantios produtivos, ao mesmo tempo em que conserva outros 7 milhões de hectares de vegetação nativa. Adotando uma estratégia de manejo sustentável, que entre outras ações intercala áreas de plantação e conservação, conhecido como plantio em mosaico, reforça a convicção de que é possível alinhar competitividade, conservação ambiental e inovação.

Entre os casos destacados, merece menção a experiência de Mato Grosso do Sul, onde pastagens degradadas estão dando lugar a florestas plantadas, promovendo ganhos ambientais e sociais, além de consolidar o estado como referência na produção de celulose. Também se destacam iniciativas como a RPPN Estação Veracel, que protege mais de seis mil hectares de Mata Atlântica e a Sylvamo, que em parceria com o WWF-Brasil, promove a restauração florestal fortalecendo a resiliência hídrica da bacia do Rio Mogi Guaçu.

Um dos grandes diferenciais do setor de árvores cultivadas é sua capacidade de integrar circularidade e descarbonização. Nas fábricas, iniciativas inovadoras como o projeto BioCMPC, que entre outras ações substituiu a caldeira à carvão por uma que utiliza biomassa, já a Bracell investiu em tecnologias da biomassa para produzir gás de síntese, em substituição aos combustíveis fósseis no forno de cal. A LD Celulose de olho na descarbonização do transporte investiu na solução ferroviária integrada fábrica-porto.

No pós-consumo, a circularidade se traduz em iniciativas como o “Estação Preço de Fábrica Recicla Embu”, da Ibema, que engaja consumidores e fortalece cooperativas de catadores, ou o trabalho da Smurfit Westrock, que transforma resíduos em recursos para a comunidade. São exemplos concretos de como o setor florestal brasileiro não apenas reduz sua pegada de carbono nas operações, mas também amplia a circularidade dos produtos, principalmente das embalagens de papel, gerando benefícios ambientais e sociais em escala.

A matriz energética do setor de árvores cultivadas é majoritariamente renovável. Esse desempenho é reforçado por cases como o da Arauco Brasil, que alia excelência operacional à autogeração e redução de resíduos; da Eldorado Brasil, que transforma efluentes tratados em energia limpa; e da Suzano, que alcançou 88% de sua matriz energética proveniente de fontes renováveis.

A restauração florestal é outro pilar do setor, que atua com múltiplas árvores para múltiplos fins. Iniciativas inovadoras, como a Symbiosis e da re.green, unem ciência e tecnologia para recuperar ecossistemas e conectar fragmentos de Mata Atlântica. Essas ações reforçam o compromisso setorial em devolver biodiversidade, serviços ambientais e qualidade de vida às comunidades.

Esses exemplos revelam a amplitude da contribuição do setor: conservação da biodiversidade, gestão responsável da água, restauração de ecossistemas, inovação em bioprodutos e circularidade nos processos industriais. Trata-se de um conjunto de práticas que não apenas reduzem emissões de gases de efeito estufa, mas também geram riqueza compartilhada, oportunidades de trabalho e desenvolvimento para as comunidades onde as empresas atuam. O caderno, nesse sentido, cumpre a função de mostrar que a bioeconomia brasileira já é realidade, com soluções escaláveis e replicáveis. E referência global do tema.

A Ibá tem aprofundado sua atuação estratégica na preparação para a COP30, que será realizada em Belém entre os dias 10 e 21 de novembro. Com um trabalho institucional forte, a Ibá também tem fortalecido sua interlocução institucional com lideranças nacionais e internacionais ligadas à conferência, incluindo enviados especiais, negociadores e representantes da sociedade civil e do setor privado. Essa presença estratégica assegura que as contribuições do setor de árvores cultivadas sejam consideradas nas mesas de decisão, ampliando o reconhecimento da bioeconomia como parte da solução global para o clima.

Outro movimento importante é a participação da Ibá ativamente na Coalizão de Florestas, grupo coordenado pelo enviado especial Beto Veríssimo e que reúne parceiros como CEBDS, Instituto Arapyaú, Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e empresas do setor. O trabalho resultará em um documento de posicionamento que abordará conservação, restauração e silvicultura, com foco em alavancas de descarbonização e alinhamento às metas nacionais. Essa contribuição será entregue ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da conferência, reforçando a relevância do setor para as negociações climáticas globais.

Além disso, a Ibá tem atuado em pautas técnicas de grande impacto, como os debates sobre o Artigo 6 do Acordo de Paris, que trata do mecanismo de mercado de carbono. O setor vem se mobilizando por meio de grupos de trabalho, diálogos com o Itamaraty e presença em negociações internacionais, defendendo a importância de reconhecer adequadamente as remoções florestais nesse mercado. Outro eixo de atuação é a elaboração do roadmap de descarbonização da cadeia de celulose e papel, em parceria com o MDIC e o BID, iniciativa que reforça o protagonismo do setor industrial na transição climática.

Ao levar para Belém um conjunto robusto de evidências, cases e propostas, a Ibá reafirma o papel do setor florestal brasileiro como agente de inovação, conservação e desenvolvimento. Mais do que uma publicação, o caderno Setor Florestal Brasileiro pelo Clima é um convite para que o mundo conheça a força transformadora dessa agroindústria, que alia produtividade e sustentabilidade, conecta ciência e prática, e mostra, na realidade brasileira, que é possível descarbonizar a economia preservando a natureza e criando oportunidades para as pessoas.

*Cindy Correa é jornalista, mestranda em sustentabilidade e gerente de Comunicação a Ibá.

** Adriano Scarpa é Engenheiro, Gerente De Mudança Do Clima Da Ibá, Diretor Da Sociedade Mineira De Engenheiros

Publicado em Revista O Papel

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