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O compromisso do setor florestal com a certificação

O comprometimento do setor brasileiro de árvores plantadas com as questões socioambientais é notável e vai desde o cultivo, com técnicas de plantio e colheita que respeitam e conservam o solo, biodiversidade e recursos hídricos, até a produção industrial, com o desenvolvimento de pesquisas e tecnologia que permitem a eficiência energética...
18/07/2016

O comprometimento do setor brasileiro de árvores plantadas com as questões socioambientais é notável e vai desde o cultivo, com técnicas de plantio e colheita que respeitam e conservam o solo, biodiversidade e recursos hídricos, até a produção industrial, com o desenvolvimento de pesquisas e tecnologia que permitem a eficiência energética e menor uso de água, por exemplo. Em meio a todo esse esforço, é sólido o compromisso das empresas brasileiras com as certificações, uma das ferramentas para mostrar a rastreabilidade e a gestão da cadeia produtiva assegurando aspectos ambientais e sociais.

Para se ter ideia, dos 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas para fins industriais em 2015, 63% eram certificados por organizações independentes, como o Forest Stewardship Council (FSC) e o Programme for the Endorsement of Forest Certification Schemes (PEFC) – representado no Brasil pelo Programa Nacional de Certificação Florestal (Cerflor) -, sendo grande parte dessa área certificada conjuntamente pelos dois programas. 

Ao certificar processos e produtos, uma empresa aumenta sua credibilidade, reduz riscos por apresentar garantias quanto à origem do seu produto e garante acesso a mercados pela demonstração da adoção do manejo florestal adequado e de operações industriais responsáveis. Para receber o selo, o fabricante de produtos de base florestal (seja de árvores plantadas ou nativas, madeireiros ou não madeireiros) passa por um processo de avaliação e auditoria independente e externa. Seguem uma série de princípios e critérios padronizados internacionalmente que abrangem desde os métodos de cultivo de muda, plantio e colheita, até produção industrial, envolvendo análises de impacto ambiental, o relacionamento com as comunidades do entorno, segurança e saúde dos trabalhadores e a conformidade com a legislação municipal, estadual e federal.

Assim, as certificações são intrínsecas à estratégia operacional das companhias e estão inseridas em toda a cadeia produtiva. Isso incentiva o setor a buscar a melhoria contínua dos processos produtivos, eficiência nas atividades florestais e industriais, e a redução de perdas e impactos ambientais.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) está envolvida significativamente com o desenvolvimento destes sistemas de certificação, participando de consultas públicas, grupos de trabalho e discussões, além das Assembleias Gerais dos sistemas PEFC e FSC.  O setor tem buscado manter diálogos abertos e transparentes para contribuir cada vez mais na definição de padrões e políticas que considerem os aspectos econômicos e operacionais, mantendo a credibilidade social e ambiental dos sistemas. Entre os temas fundamentais de discussão com os sistemas de certificação estão a gestão do uso de agroquímicos para o controle de pragas e doenças, a biotecnologia arbórea, a discussão sobre madeira controlada – principalmente devido a necessidade de inserção de pequenos produtores no processo produtivo, e o papel das plantações certificadas no suprimento da demanda por fibras, madeira e energia, por meio de produtos certificados por um processo de cadeia de custódia.

O setor também age para difundir os benefícios socioeconômicos obtidos com a certificação, ciente da necessidade de conscientizar sobre a importância da busca por esses selos reconhecidos internacionalmente e que não são apenas um símbolo de qualidade, mas de rastreabilidade. A certificação garante ao consumidor que o produto adquirido – papel, painéis ou pisos laminados – utiliza madeira de origem legal e leva em consideração aspectos ambientais, sociais e econômicos. Comprar produtos certificados é um passo importante para garantir o consumo sustentável e a adoção de uma economia de baixo impacto ambiental.

Por Elizabeth de Carvalhaes
* Presidente-executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá)

Este artigo foi publicado na revista O Papel em Junho de 2016

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