Da árvore ao livro: como é feito o papel?

O papel é produzido a partir de fibras de celulose extraídas de árvores cultivadas, como eucalipto e pinus. No setor de árvores cultivadas brasileiro, esse processo segue um ciclo sustentável que une produtividade florestal, tecnologia industrial de ponta e aproveitamento integral da matéria-prima para gerar produtos renováveis, recicláveis e biodegradáveis.
O início nas árvores cultivadas
Tudo começa no campo. O setor planta diariamente 1,8 milhão de árvores para fins industriais. Essa cadeia de produção que se inicia com o plantio é certificada por respeitadas organizações globais, como FSC e PEFC, que asseguram o manejo responsável e a origem legal da madeira, combatendo o mito de que a produção de papel causa desmatamento. Ao escolher produtos certificados, o consumidor apoia uma cadeia guiada pela sustentabilidade.
Atualmente, o setor dedica 10,5 milhões de hectares ao cultivo produtivo e protege outros 7,01 milhões de hectares de matas nativas. Adotando o plantio em mosaico, cria corredores ecológicos que conectam áreas de cultivo e preservação, protegem a fauna e os recursos hídricos.
Inovação e circularidade no processo fabril
Na fábrica, as toras de madeira são descascadas e transformadas em lascas, conhecidas como cavaco. O cavaco passa por um processo de cozimento e branqueamento para separar as fibras de celulose da lignina, a “cola” natural que mantém a estrutura da árvore. A partir da polpa que resulta desse processo, as máquinas formam folhas contínuas de papel em um sistema de alta eficiência que inclui:
● Uso racional de água: tecnologias industriais de ponta minimizam o consumo e garantem que mais de 90% da água captada retorne ao meio ambiente, seja devolvida aos rios após tratamento ou por meio da evaporação. Apenas uma fração residual se mantém no papel.
● Autonomia energética: em um processo marcado pela circularidade, a maior parte da energia consumida por fábricas de celulose e papel é autogerada a partir da biomassa florestal. Além disso, cerca de 90% da energia consumida pelos diversos segmentos do setor vem de fontes limpas.
Sustentabilidade inerente ao produto
O papel é então processado em máquinas para formar bobinas gigantescas, que darão origem a diversos produtos. O papel é 100% biodegradável e apresenta uma das maiores taxas de reuso: no Brasil, o índice de reciclagem de aparas pelas empresas é de quase 60%.
Além de livros e cadernos, o papel também dá origem às embalagens, que hoje estão entre as principais aliadas na substituição de produtos de origem fóssil de uso único. Por serem recicláveis e originadas de fontes renováveis, oferecem uma solução verde, reduzindo o acúmulo de resíduos plásticos em oceanos e aterros. Mais do que funcionalidade, cada produto de papel atua como um estoque ativo de carbono, contribuindo diretamente com a mitigação das mudanças climáticas.
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