Suzano utiliza tecnologia para o monitoramento da biodiversidade em Mato Grosso do Sul

A Suzano está conduzindo um estudo inédito de monitoramento da biodiversidade em parceria com o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE) com objetivo de mapear a presença e a diversidade de animais silvestres na região do Cerrado do Mato Grosso do Sul. Até o final de 2025 o estudo já havia identificado 207 espécies, sendo 194 aves, 10 anfíbios e 3 mamíferos. O número representa aproximadamente 40% da biodiversidade prevista para a região, segundo o Sistema Global de Informações sobre Biodiversidade (GBIF).
A iniciativa utiliza metodologias pioneiras, como gravações acústicas automatizadas e análises de DNA ambiental (eDNA) – que empregam moscas e mosquitos para a coleta de materiais genéticos – combinadas a recursos de inteligência artificial para identificar espécies da fauna local e espécies migratórias da região, onde a companhia mantém 1,136 milhão de hectares de áreas florestais, dos quais 327 mil hectares são destinados exclusivamente à conservação da biodiversidade, incluindo áreas de proteção permanente e remanescentes de vegetação nativa.
Ao todo, foram monitorados 176 pontos ao longo de mais de 400 quilômetros de Cerrado entre áreas próprias da Suzano e propriedades de terceiros, dos quais 79 receberam, simultaneamente, gravadores acústicos e armadilhas para mosquitos e coleta de DNA ambiental (eDNA) –, enquanto os demais foram equipados apenas com gravadores.
Os dispositivos permaneceram ativos por 15 dias consecutivos, registrando sons da fauna local em intervalos programados, o que permitiu reunir um volume de mais de dois mil minutos gravados por ponto de amostragem. Combinando inteligência artificial e o modelo BirdNET, as gravações permitiram identificar sons de aves, mamíferos, anfíbios, insetos e até cigarras, produzindo um mapeamento detalhado da presença e da diversidade das espécies.
Também foram instaladas armadilhas confeccionadas com garrafas PET e tubos tipo Falcon – iscadas com carne bovina para atrair moscas por quatro dias. Estes insetos funcionam como “amostras vivas” de DNA, e, após a captura, foram armazenados e enviados para a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), onde passaram por análises genéticas para identificar as espécies presentes na área.
Entre as espécies de maior relevância para conservação, foi registrado o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) em mais de 20 pontos, o mutum-de-penacho (Crax fasciolata) em 17 locais próximos a rios, além de espécies endêmicas como o chupa-dente-do-planalto (Thamnophilus pelzelni) e o chorozinho-de-asa-branca (Basileuterus leucophrys).



