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Um novo desafio, a mesma inspiração

Tendo a política como vocação, percorro os dias da minha atividade profissional trabalhando duro no presente, mas de olho no futuro de nossa sociedade. Afinal, se a política é a arte de pensar as mudanças e torná-las efetivas, como pensou Milton Santos, e com a gigantesca e emergencial agenda de superações em nosso País, não poderia ser diferente: um horizonte melhor do que o presente e muito diverso do passado sempre foi e se mantém como a minha grande inspiração de trabalho.

Nesse processo de ação orientada à transformação, e sempre muito bem acompanhado por times que uniam a boa política com a boa técnica, pude liderar movimentos importantes no Estado do Espírito Santo, que governei por três mandatos (2003-2010 e 2015-2018). Dentre as conquistas dos últimos anos, constituímos o melhor ensino médio do Brasil, de acordo com o Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), e numa contingência nacional crítica, agravada nas terras capixabas por questões locais e regionais, terminamos a gestão como o único Estado da Federação com Nota A do Tesouro Nacional.

Neste momento de minha caminhada, sigo novos caminhos, mas avanço sempre como o mesmo olhar orientado por perspectivas mais justas, inclusivas, sustentáveis e prósperas do que a realidade que experimentamos atualmente como nação.

Depois da disputa e da conquista de oito mandatos, decidi manter minha dedicação à transformação da vida brasileira, mas em outras frentes. Primeiramente, abracei o voluntariado no Todos pela Educação, voltado à melhoria da educação básica no País, e também no RenovaBR, de formação de novas lideranças políticas nacionais.

Como trabalho, assumo uma nova atividade, a Presidência-Executiva da Indústria Brasileira de Árvores - Ibá, onde os desafios e as conquistas também repercutem diretamente no dia a dia e no futuro da nação. Ingresso no setor de árvores plantadas para fins industriais, que engloba os segmentos de papel, pisos, painéis, carvão e celulose, e se destaca pela eficiência, sustentabilidade e força econômica.

Em 2018, esta indústria foi responsável por 4,1% das exportações nacionais, totalizando US$ 10,7 bilhões.  E por que exportamos tanto? Pela qualidade de nossos produtos e pela origem sustentável. Americanos, europeus e, principalmente, chineses buscam por produtos que, desde sua matéria-prima inicial, sejam ambientalmente corretos. Isto pela consciência ambiental e, especialmente, pelos compromissos assumidos em reduzir a emissão de gases de efeito estufa, por meio de convenções internacionais, como o Acordo de Paris.

Esta indústria contribuiu, e muito, para o patamar de referência mundial na mitigação das mudanças climáticas ao qual o Brasil chegou. Aqui, por exemplo, toda a celulose, papel e produtos de madeira produzidos por associadas da Ibá vêm de florestas plantadas para fins industriais. Significa que são árvores plantadas em áreas antes degradadas por outras atividades e legalmente manejadas de acordo com o clima e as condições locais. Isso auxilia na recuperação do solo, regulação do fluxo hídrico e conservação da biodiversidade, entre diversos outros benefícios. Atualmente, há 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas, com 1,7 bilhão de toneladas de CO2 estacado, e 5,6 milhões de hectares conservados pelo setor, com 2,5 bilhões de toneladas de CO2 estocados.

Ambientalmente, estou convicto de que o setor é um exemplo de cuidado, conservação e preservação da biodiversidade. Inclusive, mesmo ocupando cerca de 1% do território nacional, nas florestas plantadas já foram avistados 38% dos mamíferos e 41% das aves ameaçadas de extinção. Isto demonstra a vida e o bom manejo que há em nossos plantios.

Economicamente, esta indústria tem se mostrado fundamental. A receita bruta de 2018 ficou em R$ 73,8 bilhões e a arrecadação de tributos gira em torno de R$ 11,5 bilhões. E o setor não para de olhar para frente, com estimativas de investimentos de R$ 19,3 bilhões até 2022, o que resultará em aumento de produção, inovação e geração de renda para as comunidades próximas. Atualmente, são 508 mil empregos diretos. Quando somamos esse quantitativo às vagas indiretas e ao efeito renda, atingimos 3,7 milhões de empregos gerados pelo setor.

O setor é responsável por mais de 5.000 produtos originados em florestas plantadas, que, além de fundamentais para nossas tarefas cotidianas, são aliados no combate à mitigação da mudança do clima. Ademais, trata-se de num negócio que mobiliza esforços para o incremento e qualificação da infraestrutura nacional, como rodovias, ferrovias e portos.

Inicio um novo momento de minha vida profissional com a certeza de que continuo ajudando o Brasil a construir um futuro melhor. Sempre trabalhei olhando para frente e agora, diante deste novo desafio, farei o mesmo, com diálogo e muita transparência, em busca de promover mais desenvolvimento socioeconômico sustentável e inclusivo para toda a sociedade brasileira. Os desafios são outros, mas a inspiração se mantém: podemos e merecemos muito mais como nação.

Por Paulo Hartung, economista, presidente-executivo Ibá, ex-governador do Estado do Espírito Santo (2003-2010/2015-2018)

Este artigo foi publicado na Revista O Papel