Projeto florestal da Symbiosis recebe R$ 26 milhões do Fundo Clima

A Symbiosis, criada em 2008 com foco na silvicultura sustentável e na geração de créditos de carbono, recebeu seu primeiro desembolso do Fundo Clima, no valor de R$ 26 milhões, de um total de R$ 77 milhões aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em maio do ano passado. A operação conta com garantia do Santander.
Os recursos são destinados a um projeto pioneiro de silvicultura com espécies nativas no sul da Bahia, voltado à produção sustentável de madeira tropical, à restauração produtiva da Mata Atlântica e à geração de créditos de carbono.
O diretor financeiro da Symbiosis, Alan Batista, destacou que a operação é a primeira do primeiro do Fundo Clima voltada para a silvicultura de espécies nativas e para a produção de madeira. Segundo Batista, o investimento tem impacto direto na cadeia de valor.
“O investimento na floresta gera um impacto massivo em toda a cadeia de valor. Em uma ponta, garante demanda para pesquisa e para o maior viveiro de espécies nativas do Brasil, com capacidade para 5 milhões de mudas por ano. Na outra, viabiliza a construção de uma indústria de beneficiamento de madeira”, afirmou.
A operação integra o BNDES Floresta Crédito, frente do banco voltada ao financiamento de projetos de restauração ecológica e produtiva com espécies nativas. Uma das exigências para que o BNDES conceda o empréstimo é que os projetos tenham fiadores.
A operação da Symbiosis inclui três fianças bancárias emitidas no mercado, sendo duas concedidas pelo Santander, o que contribuiu para viabilizar a operação. O financiamento conta com taxas de juros de 1% ao ano, além dos encargos, um custo total de 2,3%, prazo de 25 anos de financiamento e cinco anos de carência.
O diretor da empresa observou que os prazos são essenciais para alinhar o financiamento à maturidade de ciclos longos de florestas nativas, algo que fundos de investimentos tradicionais não oferecem.
Leonardo Fleck, chefe de sustentabilidade do Santander, destacou que a linha subsidiada representa um marco para a recuperação de biomas. Segundo ele, o banco tem um histórico de apoio à agenda de restauração no Brasil. A operação da Symbiosis é a segunda fiança concedida pelo Santander via Fundo Clima, e a primeira focada em silvicultura de nativas no mercado.
“É uma agenda ‘ganha-ganha-ganha’ que traz desenvolvimento social local. Vale o esforço dos atores de mercado para viabilizar um setor que pode ser o grande diferencial do país”, disse Fleck.
Para conceder a garantia, o Santander avaliou a credibilidade e a capacidade técnica da liderança para executar a operação, além de um plano de negócios robusto que inclui contratos de compra antecipada de carbono. A gestão de riscos foi aprofundada por meio de diligências fundiárias e da análise da estrutura de capital, enquanto a adoção de certificações internacionais foi um diferencial para validar as salvaguardas socioambientais da companhia.
A Symbiosis já plantou mais de 2 mil hectares desde o início do projeto. Com a conclusão do desembolso, somado a outros recursos, a desenvolvedora planeja chegar a 5 mil hectares até o ano que vem. Desse total, estima-se que 1.500 sejam financiados diretamente pelo Fundo Clima.
“Esse projeto é um passo importante para a silvicultura de espécies nativas no Brasil e mostra como é possível aliar produção florestal, preservação da biodiversidade e geração de créditos de carbono”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota.
Publicado em Globo Rural



