Ibá na Mídia

Green bond ainda é incipiente e custo precisa ser aprimorado

Ao ratificar o acordo de Paris em setembro, o Brasil incentiva o mercado de títulos verdes, ou green bonds. Até o momento, no entanto, essa fonte de recursos financeiros é incipiente e traz como principal ganho o de reputação.....
09/12/2016

Ao ratificar o acordo de Paris em setembro, o Brasil incentiva o mercado de títulos verdes, ou green bonds. Até o momento, no entanto, essa fonte de recursos financeiros é incipiente e traz como principal ganho o de reputação. Segundo Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), muito ainda tem a ser conquistado, como a redução de custos ante outras formas de captação, a abertura também para companhias de médio porte e o reconhecimento do crédito de carbono florestal.

Os green bonds são títulos de dívida emitidos por entidades financeiras, não financeiras ou públicas, cujo objetivo é financiar ativos com benefícios ao meio ambiente. No mundo, a expectativa total para 2016 é de que as emissões atinjam US$ 100 bilhões, segundo dados do Climate Bonds Initiative (CBI), disponibilizados pela Ibá. Na indústria brasileira de árvores, o potencial agregado dos títulos pode chegar a US$ 13 bilhões, de acordo com a Ibá.

‘Os green bonds crescem porque, claro, surge uma corrida para o cumprimento das metas do clima (Acordo de Paris). Começa a abrir um novo mercado’, comenta Elizabeth, em entrevista exclusiva ao Broadcast.

Segundo ela, hoje os títulos verdes têm valor ‘reputacional’, porque o custo é semelhante ao de outras fontes. ‘O custo é igual a um banco, por exemplo, e a gente solicita que tenha alguma vantagem financeira’.

A presidente da Ibá também comenta outros dois pontos, como a criação de mecanismos ou interfaces para garantir o acesso à esses títulos por empresas de médio porte, já que hoje as emissões realizadas ficam acima de US$ 100 milhões. ‘Há 70 empresas associadas na Ibá, sendo a maior parte médias, e nem todas tem a capacidade de alavancar US$ 100 milhões’, explica.

Outra questão é o crédito de carbono florestal. ‘Queremos que tenha alguma vantagem ante outros créditos. A gente insiste que os green bonds reconheçam o crédito de carbono florestal.’

A Suzano Papel e Celulose foi a primeira empresa a emitir um título verde em dólar no mercado brasileiro. Trata-se de uma operação de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) da Eco Securitizadora, no montante de R$ 1 bilhão.

O diretor executivo de Finanças e de Relações com Investidores, Marcelo Bacci, contou ao

Broadcast que a Suzano acessou esse mercado com o objetivo de ganhos no futuro, pois atualmente a vantagem foi somente do ponto de reputação e não financeiro. ‘Abre uma porta para o futuro, quando este mercado for maior’.

Hoje, segundo Bacci, os fundos que investem somente neste tipo de ativo ainda são pequenos, mas com certeza crescerão nos próximos anos. ‘De quatro a cinco anos terá mais ganho e a Suzano já entrou neste mercado’, disse o diretor, ressaltando que a companhia não precisou ‘fazer nada de diferente’ para emitir os CRAs, pois já possui práticas de sustentabilidade.

Sobre novas emissões, Bacci revelou que a empresa sempre observa as oportunidades, mas por enquanto não há nada em vista. ‘Começo do ano que vem pode ser’, disse.

Outra companhia brasileira a acessar esse mercado foi a BRF, em maio de 2015, mas com montante de 500 milhões de euros.

Londres

A Ibá participa amanhã (8) de evento sobre o tema, o Investor Roadshow for Brazil’s New Economy, promovido pela CBI, na Bolsa de Londres, com o objetivo de apresentar o setor florestal brasileiro para os investidores.

‘Vamos apresentar na Inglaterra o processo industrial, de cuidado do solo, captura de carbono, certificação, inclusão social, etc, para demonstrar que o Brasil é um local extremamente seguro e essa indústria de florestas plantadas tem risco zero’, disse a presidente da Ibá.

O Brasil, de acordo com os dados da Ibá, tem 7,8 milhões de hectares de árvores plantadas. Deste total, 700 mil hectares são destinados para a conservação. A indústria é responsável pelo estoque de 3,4 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente e 80% do volume de água capturado regressa para a origem.

Veículo: Agência Estado

 

 

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