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Oferta de água é a maior preocupação

A insuficiência das medidas para controle das mudanças climáticas, juntamente com as crises de água, estarão no topo das preocupações no mundo dos negócios na próxima década e a busca por soluções já começa a gerar impactos na competivitidade, segundo o 'The Global Risks Report 2016'......
18/02/2016

A insuficiência das medidas para controle das mudanças climáticas, juntamente com as crises de água, estarão no topo das preocupações no mundo dos negócios na próxima década e a busca por soluções já começa a gerar impactos na competivitidade, segundo o ‘The Global Risks Report 2016’. Elaborado pelo Fórum Econômico Mundial com o suporte de 750 lideranças empresariais, governamentais e acadêmicas, o estudo revela que as corporações, as economias nacionais e as vidas dos cidadãos estão mais expostas a ‘fatores às vezes inesperados’,cuja convivência deverá balizar um novo modo de produzir e consumir na chamada ‘Quarta Revolução Industrial’.

O relatório aponta o fracasso da gestão climática como ameaça mais impactante e a terceira mais provável, atrás da migração involuntária em massa e dos desastres ambientais causados por eventos extremos, como secas e enchentes. De acordo com o levantamento, os riscos têm como pano de fundo pressões socioeconômicas com reflexos, por exemplo, na segurança alimentar e energética. ‘O que era um problema hipotético passou a ser quase uma certeza diante da falta de ações no nível necessário para resolvê-lo.’

Em contraponto, para Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), a conferência de Paris sobre clima, a CoP-21 realizada pela ONU em dezembro, abriu uma agenda inédita para as empresas, governos e sociedade. ‘Pela primeira vez estamos todos no mesmo barco’, afirma. ‘O pacto para limitar o aumento da temperatura do planeta no limite seguro de 2º C até o fim deste século, com possibilidade de se chegar a um patamar ainda mais rigoroso de 1,5º C, deverá mobilizar expressivos recursos e causará grandes efeitos nos negócios’.

Da restauração florestal às energias limpas, a iniciativa Parcerias de Tecnologia de Baixo Carbono (LCTPi, na sigla em inglês), lançada globalmente em 2015 pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável, identificou a existência de soluções tecnológicas de negócio suficientes para viabilizar 65% das metas de redução de emissões na perspectiva dos 2º C. As propostas poderão canalizar US$ 5 trilhões a US$ 10 trilhões em investimentos para os setores de baixo carbono e gerar de 20 a 45 mil postos de trabalho por ano.

‘A questão climática deixou de ser marginal? é elemento de competitividade e quem não olhar para isso perderá espaço no mercado porque agora o jogo tem regras mais claras e é para todos’, analisa Grossi. ‘Mas há gargalos de regulamentação e de políticas públicas para as empresas priorizarem esses investimentos de modo a permitir adaptação mais rápida.

‘Mario Monzoni, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade (Gvces), da Fundação Getulio Vargas, enfatiza: ‘A crise econômica e política poderá postergar a agenda climática no Brasil, onde o tema em geral ainda soa como restrição à produção’. Além disso, em sua análise, na questão energética, os fatores econômicos e geopolíticos têm se mostrado mais fortes que os ambientais – e isso pode reduzir o ritmo da mudança da matriz.

Em paralelo, diz o professor, ‘o plano climático para setor industrial foi esquecido no país’. O foco nacional tem sido o combate ao desmatamento e a redução de emissões no agronegócio. Mas o Plano ABC (Agricultura de Baixo Carbono), que previu R$ 200 bilhões de investimentos entre 2010 e 2020 (dois terços na forma de crédito), utilizou até agora apenas R$ 10 bilhões por falta de demanda dos produtores rurais. E agora, diante do atual cenário de ajuste fiscal, os avanços são incertos, alerta Monzoni.

A agenda da redução de gases do efeito estufa tem perdido espaço para a da adaptação aos impactos do clima sinal de que o problema já é uma realidade que afeta os investimentos. ‘Empresas que olharem para trás não irão prosperar’, adverte o pesquisador Guarany Osório, também do GVCes. No projeto Tendências em Serviços Ecossistêmicos, a instituição mobiliza empresas que pretendem medir a dependência do negócio em relação a recursos naturais, como água e biodiversidade, e o nível de impacto exercido sobre eles. Estão em jogo a disponibilidade de insumos no futuro, a imagem junto aos seus diferentes públicos e os custos operacionais da atividade.

‘Mudanças mais radicais virão no cenário 2020¬2025 e, no longo prazo, toda a sociedade terá padrões bem diferentes dos atuais’, estima Jorge Soto, diretor de desenvolvimento sustentável da Braskem, petroquímica que tem capacidade de produzir 200 toneladas por ano de plástico a partir da cana-de-açúcar, mas aguarda resposta mais positiva do mercado para aumentar a escala da solução renovável.

A nova fronteira é marcada pelo engajamento do setor financeiro, que tem o poder de influenciar as diversas atividades econômicas e começa a incorporar as variáveis ambientais. A estratégia de atribuir preço ao carbono, com benefícios de mercado para quem o evita, já ocorre em cerca de 40 regiões do mundo. ‘O mecanismo é essencial para estimular a indústria a migrar definitivamente para a economia de baixo carbono’, ressalta Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), que reúne empresas de base florestal.

Veículo: Valor Econômico

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