ibá

Mudanças Climáticas

Criado: 17 abril 2015
O aquecimento global, causado pelo aumento dos Gases de Efeito Estufa (GEE) em decorrência das atividades humanas, é um dos principais problemas ambientais da atualidade. Estudos científicos encomendados pela Organização das Nações Unidas (ONU) alertam que as mudanças no clima podem provocar graves impactos ambientais, econômicos e sociais.

Estima-se, por exemplo, que os 7,8 milhões de hectares de área de plantio florestais no Brasil são responsáveis pelo estoque de aproximadamente 1,7 bilhão de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2eq¹). Além disso, o setor gera e mantém reservas de carbono da ordem de 2,48 bilhões de toneladas de CO2eq em 5,6 milhões de hectares na forma de Reserva Legal (RL), Áreas de Proteção Permanente (APP) e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN).

A estrutura produtiva da indústria de árvores plantadas divide-se em duas componentes principais: florestal e fabril.

A componente florestal - áreas de florestas plantadas e de preservação da mata nativa -, é baseada na formação de estoques de carbono por meio do reflorestamento com florestas de produção (ciclos de plantio e colheita renováveis), e da gestão sustentável de áreas de conservação de florestas nativas. E, como o Brasil busca reduzir a intensidade geral de suas emissões; o setor de árvores plantadas tem um papel de substancial relevância para o País, pois a escala das remoções geradas por incrementos de estoques florestais e a capacidade de manutenção por prazos longos fazem com que a floresta tenha um potencial enorme de contribuição no combate às mudanças climáticas.

Já na componente fabril - estruturas de beneficiamento da madeira (produção de celulose e papel; carvão vegetal para a produção de ferro-gusa, ferro ligas e aço; chapas e painéis compensados; madeira tratada para construção civil; bioenergia, entre outros) -, diversos segmentos da base florestal se aproximam da autossuficiência energética renovável, com níveis mínimos de emissão de gases de efeito estufa (GEE). Isso se deu graças à adoção de varias medidas, como, por exemplo, a substituição de fontes energéticas fósseis por renováveis (licor preto, gás natural e biomassa).

Existem, portanto, dois tipos de benefícios climáticos que caracterizam o potencial do setor: remoções de GEE e estoques de carbono nas áreas de plantio e de conservação; e as emissões evitadas por meio do uso de produtos florestais bem manejados ao invés de produtos de base fóssil ou não renovável em diferentes etapas da cadeia produtiva.  Assim, seja no âmbito de politicas públicas domésticas, seja no de regulamentações internacionais, quaisquer iniciativas devem considerar essas duas dinâmicas.

Destaca-se, ainda, a importância de se integrar as politicas públicas relacionadas ao setor com a Politica Nacional de Mudança do Clima (PNMC) e o aproveitamento pleno dos meios de implementação, gerados em nível internacional, em especial no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) e do Acordo de Paris, resultante da COP21. Na estrutura do Acordo, merecem atenção especial o aproveitamento do novo mecanismo de mercado a ser regulamentado com base na experiência do mecanismo já existente (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), e as iniciativas de incremento de estoques florestais no sistema de REDD+ ².

Considerando as oportunidades de expansão das florestas plantadas e nativas; e do uso de produtos florestais em diversas cadeias produtivas, é evidente que a indústria brasileira de árvores plantadas possui grande potencial de contribuição no combate a mudança do clima. Porém, tanto o seu desenvolvimento quanto a sua ajuda dependem da demanda efetiva, da valorização de fato de produtos florestais renováveis e da superação de diversas barreiras.

A construção de políticas públicas e de mecanismos de mercado de carbono capazes de internalizar e de valorizar economicamente os benefícios climáticos são, portanto, fundamentais para a inserção adequada do setor em uma nova economia global de baixo carbono.

CO2eq¹: Medida métrica utilizada para comparar as emissões dos vários gases de efeito estufa, baseada no potencial de aquecimento global de cada um.
REDD+²: Sistema que gera pagamentos por resultados vinculados ao combate ao desmatamento, degradação e ao incremento e estoques de carbono florestal.