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O setor de árvores plantadas na Coalizão por uma economia de baixo carbono

Criado: 22 julho 2015

A atuação do setor produtivo na mitigação de impactos ambientais e no combate às mudanças climáticas é fundamental. A união das empresas a outro ator de grande importância, o governo, é, então, um fator essencial para o sucesso de uma economia mais sustentável. 

Com a proximidade da realização da Conferência do Clima, a COP21, que em Dezembro de 2015 deverá definir um Novo Acordo Climático para o período pós-2020, o setor produtivo tem atuado e dialogado por meio de fóruns com o objetivo de contribuir para os compromissos de redução de emissões de gases causadores do aquecimento global que deverão ser apresentados pelo governo brasileiro até outubro por meio da chamada Contribuição Pretendida Nacionalmente Determinada (INDC, do inglês).

Pelo seu potencial de armazenamento e captura de carbono da atmosfera, as florestas estão profundamente relacionadas às mudanças climáticas. As atividades produtivas de base florestal, apoiadas no manejo florestal sustentável e em plantios florestais, são parte fundamental da economia de baixo carbono.

O setor brasileiro de árvores plantadas possui grande potencial de contribuição no combate às mudanças climáticas, por conta das oportunidades de mitigação de emissões de CO2 pelas árvores plantadas e de preservação de florestas nativas a elas associadas. Em 2014, os 7,7 milhões de hectares de áreas de plantio florestais no Brasil foram responsáveis por 1,69 bilhão de toneladas de CO2.

Assim, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) atua em diferentes fóruns que discutem propostas para os compromissos brasileiros. Destaco aqui a participação da entidade na Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, lançada em Junho de 2015. A Ibá participa ativamente desde as primeiras discussões que deram origem à Coalizão, em Dezembro de 2014.

Trata-se de uma aliança entre associações empresariais, empresas e organizações da sociedade civil cujo objetivo é propor formas de contribuir para a construção de uma nova economia de baixo carbono, que seja competitiva, responsável e inclusiva, mas que esteja alinhada com as agendas de proteção, conservação e uso sustentável das florestas na agricultura e na redução e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas.

Esta aliança multisetorial pretende promover e propor políticas públicas, ações e mecanismos financeiro/econômicos para o estímulo à agricultura, pecuária e economia florestal. Além disso, pretende também contribuir para o fim do desmatamento ilegal e para a expansão da produção de alimentos, produtos de base florestal e bioenergia de forma competitiva e sustentável.

Para tanto, foram construídas 17 propostas para viabilizar a liderança do Brasil numa economia de baixo carbono, divididas em três eixos principais: implementação do código florestal, regularização fundiária e cooperação internacional; mecanismos de valorização econômica do carbono e serviços ecossistêmicos; e eixo florestal e agrícola. Este último trata do combate ao desmatamento, incremento de estoques florestais e agricultura de baixo carbono.

Declaração Brasil/EUA Na recente visita da presidente Dilma Rousseff aos Estados Unidos, a presidente assumiu três importantes compromissos a serem alcançados pelo País até 2030 e que farão parte para o acordo climático: reflorestar 12 milhões de hectares, fazer com que as energias renováveis respondam por 28% a 33% da matriz energética brasileira; e reduzir a zero o desmatamento ilegal no País.

Este anúncio é, sem dúvidas, um importante avanço, pois mostra que o governo brasileiro está atento às propostas do setor produtivo. Apesar dos compromissos estarem alinhados com o que propõe a Coalizão, por exemplo, eles ainda são insuficientes para um País que tem o potencial de assumir o protagonismo na liderança global da economia de baixo carbono.

O setor de árvores plantadas brasileiro está pronto para contribuir na mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, e continuará participando ativamente do diálogo com o setor produtivo e com o governo para que o País possa aproveitar, da melhor forma, essa enorme oportunidade de liderar as discussões sobre as mudanças climáticas.

 

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