ibá

A evolução do setor de árvores plantadas e os entraves para o crescimento

Criado: 14 setembro 2015

O ano de 2015 tem sido um período de destaque para o setor de florestas plantadas, apesar das turbulências na economia brasileira. No primeiro semestre, o volume de exportações de celulose teve um crescimento de 7,1% em relação ao mesmo período de 2014, enquanto o segmento de painéis de madeira viu as vendas externas crescerem 48,2% na mesma base de comparação. O saldo positivo da balança comercial do setor de árvores plantadas cresceu 6% no período.

Esse comportamento positivo do setor dá continuidade ao movimento que foi registrado no ano passado, fortemente ancorado pelo cenário internacional positivo. Em 2014 o Produto Interno Bruto (PIB) do setor cresceu 1,7%, o que pode parecer modesto se compararmos com o crescimento histórico do setor, de 3,8% ao ano, mas se faz excepcional se compararmos com o desempenho da agropecuária, com aumento de 0,4% no PIB setorial, ou ainda o recuo de 1,2% no PIB Industrial geral.

Além disso, as empresas têm atuado de forma enfática e inteligente ao ampliar os mercados para exportação. Enquanto seis anos atrás, menos de 20% da celulose brasileira exportada tinha como destino final a China, hoje esse percentual está acima dos 30%. Isso foi extremamente importante nos últimos anos, quando a crise de 2008 nos Estados Unidos e posteriormente a crise da dívida na zona do euro levaram a um recuo nas compras dessas regiões, sendo parcialmente compensadas pela Ásia.

Mas, apesar da liderança mundial do setor florestal brasileiro, ainda há graves entraves que precisam ser considerados. Nos últimos anos a produção de madeira ficou mais cara no País. Em 2000, o custo de produção de madeira no Brasil era 40% menos do que nos Estados Unidos, mas no fim do ano passado, essa diferença não chegava a 10%. Apenas em 2014 a inflação do setor de árvores plantadas, medida pelo Índice Nacional de Custos da Atividade Florestal (INCAF-Pöyry), foi de 7,9%, enquanto a inflação nacional medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) ficou em 6,4%.

Se considerarmos as expectativas para a economia brasileira para este ano, de inflação de mais de 9% segundo dados do Boletim Focus, elaborado pelo Banco Central, o cenário para os custos das empresas preocupa. Enquanto a valorização do dólar frente ao real permite a recuperação de receitas pelas companhias, o aumento dos custos pode vir a prejudicar parte dos ganhos com câmbio.

Diante desses desafios, as empresas têm realizado enormes esforços para garantir processos cada vez mais produtivos e menos custosos. Para tanto, atuam continuamente na promoção de novas negociações com seus fornecedores, e na redução de custos de operações internas.

Um importante fator que impacta na redução dos custos no longo prazo é a segunda jurídica, em especial no que diz respeito ao uso da terra. As ações visando à agilidade da aplicação das Leis Ambientais são de fundamental importância. Além disso, a eliminação dos entraves na aquisição de terras por empresas de capital estrangeiro também é outro fator que afeta os investimentos do setor.

No cenário climático atual, é fundamental a criação de políticas para o desenvolvimento da bioeconomia, com o objetivo de estimular o consumo de produtos oriundos de florestas plantadas no lugar de produtos de origem fóssil, especialmente devido ao potencial de absorção de dióxido de carbono CO2 pelas árvores plantadas - que tem gerado oportunidades para o País no campo das negociações climáticas mundiais.

É importante ressaltar que, além da manutenção ou aumento dos estoques de carbono, cada produto originário de árvores plantadas também pode evitar ou reduzir emissões associadas ao uso de produtos oriundos de matérias-primas fósseis ou não renováveis. É necessário considerar que todo produto de base florestal imobiliza o carbono assimilado durante toda sua vida útil.

Em termos de futuro, o setor de florestas plantadas tende a ser ainda mais relevante para a sustentabilidade, seja pelo fortalecimento de fontes renováveis e pelo uso crescente da biomassa florestal, sem esquecer as pesquisas envolvendo o etanol celulósico.

A superação desses desafios faz-se necessária para manter o setor florestal brasileiro em destaque crescente no mundo, tanto em produtividade, quanto em inovação.

«Veja todos os artigos